The Entertainer, de Scott Joplin (1868-1915)

The Entertainer, de Scott Joplin

The Entertainer (a ragtime two step) é uma música velhinha, daquelas que ficam obsessivamente no ouvido, e que são, como diria Oliver Sacks, um verme auditivo. Na juventude, toquei um arranjo simples e bastante incompleto desta música, para deleite de alguns amigos (especialmente do F.V).

Frontispício da edição original (Saint Louis, 1902)

Há algumas semanas, o algoritmo do YouTube levou-me a este descontraído video de Richard Smith e Tommy Emmanuel. Se Tommy não toca neste video, a sua presença vale pela sua alegria durante e depois da performance.

Mais uma vez, o carácter viciante desta peça não me largou durante uns dias. Decidi então fazer um arranjo a partir do original para piano. A tonalidade original (em Dó) não se adapta bem à guitarra, e tal como Richard Smith, optei pela tonalidade de Ré para o arranjo, mantendo, tanto quanto a tessitura da guitarra o permite, as características do original. Em breve, farei uma gravação.

Não é propriamente uma peça típica do repertório clássico-romântico a que me tenho dedicado nos últimos anos, mas o carácter divertido da peça recorda-me tempos mais ingénuos.

Entretanto, para quem queira experimentar, o arranjo está disponível nas plataformas de venda de partituras Scorexchange, Sheetmusicplus e MusicaNeo, ou ainda em formato Kindle na Amazon.

Antoine de Lhoyer – Andante poco Adagio

Antoine de Lhoyer (1768, Clermont-Ferrand – 1852, Paris) – Andante poco Adagio op. 43 n°13, extraído do “Divertissement pour la Guitare op.43”

Antoine de Lhoyer, compositor e guitarrista francês, abraçou a vida militar, mas a Revolução Francesa obrigou-o ao exílio em 1791, já que era um monárquico convicto. Combateu as tropas revolucionárias, com o Armée des Princes e com outras unidades militares leais ao Rei. Com o esmorecer da causa real, desmobiliza-se, e em 1800 fixa-se em Hamburgo, cidade para onde convergiram aristocratas fugidos à Revolução, e que faziam da cidade um ambiente propício para o seu trabalho como músico e professor. De Hamburgo parte em 1803 para São Petersburgo, contratado pela corte russa onde permanece até 1812, regressando a Paris, ainda com Napoleão no poder. Com a restauração da monarquia, recupera provisoriamente o seu estatuto militar. Com as reviravoltas da situação política e social francesa, emigra com a família para Argel em 1836, regressando a Paris pouco tempo antes da sua morte em 1852.
A sua obra musical, resgatada do esquecimento por investigadores como Mantanya Ophée e Erik Stenstadvold, constitui um expoente da música de câmara com guitarra da primeira metade do séc XIX.

Este Andante faz parte do seu “Divertimento op.43” publicado em Paris no ano de 1826.

Rui Namora, guitarra romântica séc. XIX (Jean Français, Lille 1828)

(Jean Français | Mirecourt, 1793-Lille, 1876)

Antoine de Lhoyer – Allemande

Antoine de Lhoyer (1768, Clermont-Ferrand – 1852, Paris) – Allemande op. 43 n°11, extraído do “Divertissement pour la Guitare op.43”

Antoine de Lhoyer, compositor e guitarrista francês, abraçou a vida militar, mas a Revolução Francesa obrigou-o ao exílio em 1791, já que era um monárquico convicto. Combateu as tropas revolucionárias, com o Armée des Princes e com outras unidades militares de leais ao Rei. Com o esmorecer da causa real, desmobiliza-se, e em 1800 fixa-se em Hamburgo, cidade para onde convergiram aristocratas fugidos à Revolução, e que faziam da cidade um ambiente propício para o seu trabalho como músico e professor. De Hamburgo parte em 1803 para São Petersburgo, contratado pela corte russa onde permanece até 1812, regressando a Paris, ainda com Napoleão no poder. Com a restauração da monarquia, recupera provisoriamente o seu estatuto militar. Com as reviravoltas da situação política e social francesa, emigra com a família para Argel em 1836, regressando a Paris pouco tempo antes da sua morte em 1852.
A sua obra musical, resgatada do esquecimento por investigadores como Mantanya Ophée e Erik Stenstadvold, constitui um expoente da música de câmara com guitarra da primeira metade do séc XIX.
Esta pequena Allemande faz parte do seu “Divertimento op.43” publicado em Paris no ano de 1826.

Rui Namora, guitarra romântica séc. XIX (construtor desconhecido)

Emílio Pujol – Becqueriana

Emilio Pujol (1886-1980) – Becqueriana (Endecha)

Rima XXXVIII

Los suspiros son aire y van al aire.
Las lágrimas son agua y van al mar.
Dime, mujer, cuando el amor se olvida,
¿sabes tú adónde va?

Gustavo Adolfo Bécquer (Sevilla, 1836 – Madrid,1870)

suiTUs de Ricardo Abreu, na Doberman-Yppan

Acaba de ser publicado na editora canadiana Doberman-Yppan, a obra SuiTUs do meu amigo Ricardo Abreu. Nas suas palavras, SuiTUs poderá ser imaginada como um pequeno filme em forma de música.

Obra elegante e exigente, só poderia ter sido escrita por um guitarrista inspirado, metódico e sofisticado como o Ricardo. Dotado de uma sólida e consistente técnica instrumental, consegue articular o processo de composição-improvisação com o fraseio, a ressonância, o ambiente harmónico fluido e sobretudo, a atenção a detalhes expressivos quase filigrânicos.

Enquanto seu colega, tive a sorte de ir ouvindo excertos da obra pelas suas próprias mãos, em momentos descontraídos de conversa com guitarra à mistura. Depois de estreada em 2013, pude-a apreciar finalmente como um todo pelo incontornável e exímio Dejan Ivanovich.

Acompanhei com expectactiva os avanços, pausas e recuos no longo processo de publicação, sobretudo para que, num prazer quase egoísta, a pudesse vir a tocar também, finalmente.

https://www.productionsdoz.com/wp-content/uploads/2018/01/DO1151cover-1.jpg

Partitura disponível para compra aqui

Estreia de SuiTUs, por Dejan Ivanovich

 

 

 

 

 

 

 

 

Giulio Regondi – Feuillet d’album

Giulio  Regondi (1822-1872)

Feuillet d’album

Giulio Regondi – Étude nº9

Giulio  Regondi (1822-1872)

Étude nº 9 (Larghetto)

  • “Sem a música, a vida seria um erro” – Nietzche