Leonard Schulz – L’indispensable op.40

Leonard Schulz (Viena, 1813 – Londres, 1860) é uma figura esquecida e obscura do mundo guitarrístico. Nascido no seio de uma família de músicos, foi um menino-prodígio que, juntamente com o seu pai e irmão, viajou pela Europa em digressão. A fama de virtuoso que obteve em vida como guitarrista, parece não ter sido suficiente para evitar o quase esquecimento da sua obra, fruto da sua vida atribulada, numa época em que o instrumento sofria já de um declínio na popularidade.

L’indispensable op.40, é uma interessante série de exercícios e estudos, publicada em Londres em 1840.

 

Escolhi Schulz e seu op.40 como tema de uma dissertação de mestrado há alguns anos e que vou revisitando com frequência. Os estudos têm propósitos técnicos muito específicos, e são reveladores de uma técnica evoluída, mas nem sempre ortodoxa pelo olhar contemporâneo.

Deixo aqui uma selecção em playlist (1,2,3,4 e 8). Os restantes, em breve...

Rui Namora, guitarra de 8 cordas construída por Jan Tuláček, réplica de J.A. Stauffer (1837)

Ernest Shand (1868-1924) – Songes d’été op.95

Ernest Shand, músico inglês nascido em 1868, foi o primeiro britânico a alcançar notoriedade como guitarrista, no trilho de virtuosos estrangeiros como Giulio Regondi, Leonard Schulz, Felix Horetzky ou Catherina Pelzer. Viveu numa época de declínio da popularidade do instrumento e por isso, não conseguiu viver profissionalmente como guitarrista. Ao invés, teve uma muito bem sucedida carreira como cantor e actor de music-hall.
A sua música para guitarra reflecte o gosto da sua época pela melodia sentimental e pungente e é constituída maioritariamente por piéces de genre, valsas, mazurkas ou polkas. Apesar do carácter ligeiro destas peças, foi o primeiro compositor britânico a compor um concerto para guitarra e quarteto de cordas, e autor do mais extenso e consistente método para o instrumento concebido, à época, no seu país (Improved Method for the guitar op.100)

Songes d’Été (Sonhos de Verão) é uma peça que encerra todo o lirismo e o sentimentalismo característicos da música de salão da época. Dividida em duas partes, contrapõe a leveza de uma valsa (quiçá de um baile…), à nostalgia de um Verão que, inexoravelmente, desvanecerá. Tal como os seus amores.

Leonard Schulz – Étude WoO nº2

Leonard Schlulz (Viena, 1813- Londres,1860) – Étude WoO nº 2 (Moderato)

Rui Namora – Guitarra Romântica de 8 cordas (Jan Tuláček), réplica de J.A. Stauffer (1837)

Leonard Schulz – Étude WoO nº4

Leonard Schlulz (Viena, 1813- Londres,1860) – Étude WoO nº4 (Andante con molto espressione)

Rui Namora –  Guitarra Romântica de 8 cordas (Jan Tuláček), réplica de J.A. Stauffer (1837)


  • “Sem a música, a vida seria um erro” – Nietzche