Rui Namora | Guitarra Clássica

Próximo Recital

10 de Dezembro 09, 21h15 – Serões da Bonjóia – Quinta de Bonjóia, Porto

(como chegar)

Rui Namora | Guitarra Clássica

Próximo Recital

3 de Dezembro 2009, 19hConcerto Aberto Antena 2, Lisboa –  Fundação Portuguesa das Comunicações – transmissão ao vivo pela Antena2  (emissão online)

Mapa

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Rui Namora, guitarra clássica

Próximo Recital

5as à Noite nos Museus

6 de Agosto, 21h30 – Coimbra, Museu Nacional Machado de Castro

Música numa Noite de Verão

Rui Namora, guitarra clássica

Próximos Concertos

Festival Música en Las Montanas

9 de Julho, 20h30 – Mecina Fondales, La Taha (Granada)  Plaza Gerard Brenan

10 de Julho, 22 h – Pitres, La Taha (Granada) – Salón de Actos del Ayuntamiento

11 de Julho, 21 h – Ferreirola, La Taha (Granada) – Alexander Music School

Concertos a solo de Rui Namora e Gil Fesch

Rui Namora | guitarra

Próximo Concerto


Sábado, 6 de Junho 2009 - Concerto  em Coimbra com  a Orquestra Clássica do Centro (dir. Virgílio Caseiro) ADIADO – Nova data a designar.

Rui Namora | guitarra clássica

Próximo Concerto

Concerto OCC


18.04.2009, 21h30 - Concerto Prestígio CGD com  a Orquestra Clássica do Centro (dir. Virgílio Caseiro),  Pavilhão Centro de Portugal (ver mapa)

Programa

Felix Mendelsohn

Abertura “As Hébridas”

Heitor Villa-Lobos

Concerto para Guitarra e Pequena Orquestra

Joseph Haydn

Sinfonia nº101

 

Entrada Livre

Rui Namora | guitarra clássica

Últimos recitais

21.03.2009, 21h30  - Recital em Coimbra,  no Pavilhão do Centro de Portugal (ver mapa)

Recital em Coimbra no Pavilhão do Centro de Portugal

 

Programa
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J. S. Bach (1685-1750)
Prelúdio, Fuga e Allegro BWV 998
Joaquín Rodrigo (1901-1999)
En los Trigales
Fandango
Manuel Ponce (1882-1948)
Tema variado e Finale
||
Agustin Barrios (1885-1944)
Valsa op. 8 nº4
Valsa op.8 nº3
Antonio José (1902-1936)
Sonata para Guitarra (1933)
Allegro moderato
Minuetto
Pavana Triste: Lento
Final: Allegro con brio

Rui Namora | guitarra clássica

Las Seis Cuerdas, por Federico Garcia Lorca
 
 
  La guitarra,
hace llorar a los sueños.
El sollozo de las almas
perdidas,
se escapa por su boca
redonda.
Y como la tarántula
teje una gran estrella
para cazar suspiros,
que flotan en su negro 
aljibe de madera.      

Rui Namora, guitarra clássica

Uma mulher chamada guitarra, por Vinicius de Moraes

 

Um dia, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era “a música em forma de mulher”. A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam un mot d’esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.
O violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina – viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo – o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres- contrabaixo.
Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em beneficio de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.
Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer “passado na cara” por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.
Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d’amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas… Até na maneira de ser tocado – contra o peito – lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.
Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seu tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei: um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.

in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
in Poesia completa e prosa: “Para viver um grande amor”

Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br